
Desde pequenos, muitas crianças são educadas para sempre fazerem o bem e nunca mentir ou enganar seus amiguinhos de classe. Caso façam algo de errado, a pena a ser cumprida é dada na forma de castigo, excluindo de suas vidas algo material de grande valor. Quando adolescentes, o castigo pode ser pior, como uma linda visita à delegacia. Os jovens, assim dizendo, temem passar momentos na cadeia, desde sempre estereotipada como um lugar maldito e sofrível, que só pode ser descrito por quem o vivencia. Mas... seria mesmo?
Em “Um Sonho de Liberdade”, o diretor Frank Darabont, estreante em 1994, baseia-se numa história dramática (pasmem) do mestre do terror Stephen King e retrata o dia-a-dia da penitenciária de ShawShank, um lugar excelente para se viver em comparação com as prisões do Brasil (leia-se Carandiru), porém, condenável para as práticas americanas, mesmo sabendo que todos os sobreviventes ali são uniformizados, limpos, têm boas condições de higiene e comida admirável.
Andy Dufresne (Tim Robbins, memorável), um rico e inteligente banqueiro, é acusado de assassinar a mulher e o suposto amante, pegos num momento apaixonado, sendo sentenciado à prisão perpétua. Sem grandes dificuldades, apesar do preconceito racial e da perseguição de homossexuais, ávidos por “carne nova”, faz amizade com Ellis Boyd Redding (Morgan Freeman), um prisioneiro que cumpre pena há 20 anos e controla o mercado negro do presídio, sutilmente. Ellis, já de início, aprecia a chegada do rapaz e observa seu grande potencial, ao comprar-lhe simples objetos, inofensivos. Juntos, vivem grandes momentos e, apesar de terem suas culpas (pouco relatadas no longa), vêem que são honestos e possuem boa índole, em comparação à corrupção de funcionários e da própria diretoria.
O filme, além de mostrar claramente toda a dificuldade enfrentada, destaca-se por retratar o abuso e o uso dos condenados, através de falsas esperanças, da falsidade, da má valorização e do tratamento prestado, uma vez que todo o benefício da cadeia é repassado para seus agentes e para o diretor, que se vangloria ao chamar a atenção da mídia, roubando ideias do genioso e esperto Andy, que tentou ajudá-los, com o interesse de diminuição em sua pena e em adquirir condições melhores para os presos. Contrariado, foi brutalmente massacrado e ameaçado, forçando-o a continuar seu processo de lavagem de dinheiro, meramente de fácil aquisição.
Apesar de parecerem mundos surreais e completamente opostos, o mundo “liberal” e o mundo nos presídios não se difere em nada, mostrando um dia-a-dia comum, com atividades corriqueiras e relacionamentos eficazes, a ponto de convencer e manipular os fracos, na luta pela sobrevivência humana, a raça mais complicada, injusta e julgadora existente. O sonho de uma liberdade real ainda é almejada pelos humanos e, assim como na cadeia, só poderá ser descrita por quem um dia a vivenciar.
Por Thiago Brogna

1 comentários:
O melhor filme que já vi na vida!
Duvido que encontre outro como esse.
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